sexta-feira, 14 de junho de 2013

Anna Akhmátova, a voz da poesia russa feminina

"Antologia poética", de Anna Akhmátova (L&PM Pocket)
Até então, não conhecia nenhuma escritora russa. Muito menos poetisa. Mal sabia eu que esse país aclamado literariamente pelos seus grandes nomes como Dostoiévski e Tolstói, escondia também grandes escritoras. Anna Akhmátova é uma delas.

Anna nasceu 1889 e faleceu em 1966. Começou a escrever poesia aos onze anos de idade, mas sua veia artística foi reprimida pelo pai, com medo que a jovem desonrasse o nome da família. Alguns anos depois, livre das amarras paternas, Akhmátova continua seus estudos e retoma a carreira de poetisa. Anna consagrou-se na literatura russa por ser a primeira escritora a fazer, de fato, uma poesia primordialmente feminina. As duas mais célebres poetisas que haviam precedido Anna Akhmátova - a simbolista Zinaída Gíppiusa e a romântica Karolina Pávlova - tentavam competir com os homens utilizando um estilo de escrita muito semelhante ao deles. Anna, ao contrário, abraça sua feminilidade e pratica uma poesia que analisa os aspectos mais íntimos da mulher - com uma lírica singular e um fazer poético despido de grandes metáforas.

Agradeço ao amigo e leitor do blog Magno Almeida, que, carinhosamente, me enviou o livro de presente (e com direito a uma dedicatória!). 

Anna Akhmátova é, indubitavelmente, um dos mais importantes nomes da literatura mundial do século XX, e deveria ser mais difundida e prestigiada pelo seu excelente trabalho, infelizmente, não o é. Deixo, então, três poemas dessa mulher fantástica, que remodelou a poesia feminina russa.

Primeira canção (1956)

"O mistério de um não-encontro
tem desolados triunfos:
frases não-ditas,
palavras silenciadas,
olhares que não se cruzaram
nem souberam onde repousar -
só as lágrimas se alegram
por poderem livremente correr.
Um roseiral perto de Moscou
- ai meu Deus! - teve tanto a ver com tudo isso...
E a tudo isso chamaremos
de amor imortal."
No lugar de uma dedicatória (1963)

"Ando sobre as ondas  e me escondo na floresta,
sou esboçada no puro esmalte do céu.
A separação talvez não seja tão difícil,
mas um encontro contigo mal é suportável."
Canção de despedida (1959)

"Não ri e não cantei:
fiquei o dia inteiro calada.
Mais do que tudo queria estar contigo
de novo, desde o começo.
Irrefletida primeira briga,
absoluto e claro delírio;
silenciosa, insensível, rápida,
nossa última refeição."

4 comentários:

  1. Grande poeta! Boa escolha de poemas...

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    1. Obrigado, Rah! Fico feliz que tenha gostado! =D

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  2. Muito obrigada pela postagem! Quem traduziu essas poesias lindas? Beijos

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    1. Fico feliz que tenha gostado!! =D
      O tradutor é Lauro Machado Coelho.
      Abraço!

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